quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Por que um Parto Domiciliar Planejado?

O Parto Domiciliar ainda existe e ele está acontecendo cada vez mais Brasil e no mundo. Muitas mulheres procuram por esse tipo de parto devido a atual assistência obstétrica brasileira, mecanizada, cercada de violência, mentiras e desrespeito para com a mulher, o bebê e a família como um todo e/ou porque se sentem mais seguras em casa.Primeiramente, saiba que o Parto Domiciliar é um direito de escolha da mulher, recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e que não existe proibição na lei para tal, ou seja, se a gestante tiver uma gestação de baixo risco, contratar profissionais capacitados para fazer o atendimento e se sentir segura, ela poderá ter um parto em casa.
Por que ter um parto domiciliar?

Aqui vamos falar sobre a parte hormonal e comportamental. Toda a dinâmica do parto pode ser comparado a relação sexual, pois envolvem os mesmos hormônios e, em geral, as mesmas características e comportamentos.
Em que ambiente você se sente mais segura, confortável e consegue aproveitar mais o momento do sexo? Você gostaria de pessoas desconhecidas no local ou pessoas te olhando na hora H? Sente mais prazer e fica mais relaxada em ambiente claro ou escuro, com um cheiro familiar ou outro? Se estiver com fome, sede ou com uma roupa desconfortável, claro ou escuro, é a mesma coisa? Relacione essas perguntas com o que você idealiza em um parto e tenha a resposta.
No trabalho de parto e parto, são liberados os mesmo hormônios e substâncias que na hora da relação sexual. Veja:
  • Prostaglandina - ajuda a preparar o colo do útero e é encontrada no sêmem;
  • Ocitocina o "hormônio do amor" - responsável pelas contrações uterinas durante todo o trabalho de parto e parto e na relação sexual está intimamente ligada à sensação de prazer, bem estar físico e emocional;
  • Endorfina - anestésico natural, ajuda o corpo a 'aguentar' a maratona do parto sendo liberada as poucos, também é responsável pelo efeito de euforia e prazer no sexo;
  • Adrenalina - é liberada em situações de estresse e risco percebido, uma inimiga do parto (deve ser liberada durante o expulsivo somente) e do sexo, pois em quantidade corta o efeito da ocitocina.
É importante saber que, como a Adrenalina corta o efeito da Ocitocina, e a Ocitocina é o hormônio responsável pelo bom desenvolver do trabalho de parto, quanto mais agradável, seguro e familiar o ambiente, mais saudável e prazeroso ocorrerá o parto, pois a mulher liberará naturalmente a quantidade de Ocitocina necessária. Se o ambiente é hostil, impessoal e mecanizado (como, em geral, são os hospitais), a mulher poderá se sentir acuada e com medo, liberando adrenalina e consequentemente reduzindo os níveis de ocitocina, resultando em uma parada na progressão da dilatação e no bom andamento do parto, tornando o trabalho de parto mais longo, com mais intervenções e, muitas vezes, traumático para a mulher, para o bebê e para a família.

É sabido que quanto menos intervenções e mais natural o parto, menos riscos mãe e  bebê correm. Numa análise feita pela Dra Melania Amorim, através de vários estudos sobre parto domiciliar, destaco: "Os partos domiciliares planejados se associam com menor risco de intervenções maternas, incluindo analgesia peridural, monitoração eletrônica fetal, episiotomia, parto operatório, além de menor frequência de lacerações, hemorragia e infecções. Dentre os desfechos neonatais dos partos domiciliares planejados, verificou-se menor taxa de prematuridade, baixo peso ao nascer e necessidade de ventilação assistida." Acrescento também: a redução da taxa de violência obstétrica para com a gestante e redução de procedimentos desnecessários com o recém-nascido, o aumento do sucesso na amamentação e vínculo materno e aumento de satisfação do parto. 


Depois de tudo isso, você ainda tem dúvidas e se pergunta: mas por que as mulheres optam por esse tipo de parto?

Segue o relato de uma gestante, que está grávida do seu segundo filho e planeja um Parto Domiciliar. Ela teve sua primeira filha de parto normal em uma maternidade do SUS. Confira:
"A maioria das pessoas que estão em conexão comigo sabem que escolhi o parto domiciliar para ter meu segundo filho, além das diversas evidencias científicas que demonstram a seguridade desse evento e de ser uma escolha consciente que iremos falar a seguir, quero falar um pouco sobre o que me levou a essa escolha, do meu ponto de vista pessoal e sobre tudo sentimental:
A primeira coisa que eu prezei foi o aconchego e conforto de estar na nossa própria casa e com as pessoas que conhecemos, amamos e confiamos. Esse pensamento iniciou-se logo após o meu primeiro parto normal e hospitalar da Laura, foram muitas pessoas desconhecidas ao meu redor, nas quais eu não confiava, diversos nãos que eu tive que dar (não para ocitocina, não para estourarem a bolsa, não para episiotomia) e os diversos exames de toques que levei de várias pessoas que nunca nem descobri qual eram os seus nomes, fora o ambiente branco nada acolhedor (fiquei livre, tomei banho de chuveiro, mas definitivamente aquilo não era nada acolhedor). Eu gosto de comparar o parto (o evento fisiológico), como ir no banheiro fazer cocô, você só consegue fazer aquele cocô de forma íntima, prazerosa e com segurança no banheiro da sua casa, sozinha ou com pessoas conhecidas na casa, o parto é a mesma coisa. O meu parto, na ocasião demorou 12 horas, sendo 3 já com dilatação total e eu só pari quando eu e o vini estávamos - finalmente -  sozinhos no quarto.
A segunda coisa tem relação com a primeira, evitar a tal violência obstétrica ( que vai desde cesáreas desnecessárias a exames de toques excessivos), na MINHA casa, no meu ambiente, quem entra lá é só quem eu confio, quem manda lá, sou eu. Na gravidez passada eu era bem mais brigona e mandona, agora estou um pouco acovardada e é provável que em um hospital eu não brigasse tanto para ter meus direitos respeitados, em casa, o meu plano de parto esta feito e só fazem no meu corpo e no meu ambiente o que eu deixar previamente combinado. As chances de uma violência quase caí a níveis zero.
E a terceira, e na minha constatação a mais importante é a Laura, minha filha estar ao nosso lado quando o irmão(ã) nascer. Afinal considero o evento mais importante em uma família e que requer toda a família reunida, ela foi a segunda pessoa a saber da gravidez, é a pessoa que mais apoia e se empolga com o irmão(a) e não deixaria ela de escanteio nesse momento mágico. Ela estar ao lado, saber que o irmão não veio do mercado, continuar com a mãe 100% do tempo (e não 2, 3 dias separados por um hospital) para mim foi o que selou a decisão de O parto vai ser domiciliar."
 Aline Shirazi Conte
 

Sendo assim, mulheres bem informadas, acompanhadas por profissionais competentes e experientes (geralmente Parteiras/Obstetrizes/Enf. Obstetra), optam em ter seus bebês no conforto do seu lar, com a companhia da sua família,  até mesmo dos filhos mais velhos, e pessoas de sua confiança. Com o cheiro do seu lençol, comer a sua comida e dormir na sua cama.
Lembrando que num bom Parto Domiciliar Planejado, sempre haverá um plano B (hospital/maternidade) em caso de necessidade de transferência, pois na dinâmica do parto poderá  ter situações que precise de assistência médico/hospitalar e/ou a gestante solicite ser transferida para alguma intervenção que não pode ser realizado em casa.

Leia mais sobre os estudos realizados e a análise da Dra. Melania Amorim em http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-parto-domiciliar.html


Fotos (autorizadas) - Fotógrafa: Bia Fotografia / Gestante: Jéssica Quiroga
Beijocas,

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